É noite chuvosa, Melancólica e sofrida, Um leve torpor demente, Invade-me tristonho, E as gotas caem feitas Uma lágrima sentida, Enquanto o cruel silencio Assola-me medonho.
O meu ser! Esta cálida alma Assim tangida, É o painel de onde afloram Os meus sentidos, Que chora inocente, Aos prantos e sem medida, Onde o sonho é pesadelo, Refúgio dos oprimidos.
Porque te pranteias? Oh triste alma ferida! À noite, embora enigmática, Ainda te é companheira, Apesar de que tempestuosa Seja-lhe a vida, Ela é-te acolhedora, Embora brutal e traiçoeira!
Oh quadro insano e aterrador, Alcova de quimeras e da ilusão. És a sangria que não estanca, És a tristeza incontida no coração. Iguais a duas naus sempre a deriva, Que aportam aquém e sem esperança, No cais tristonho da solidão!